terça-feira, 24 de setembro de 2013

Por falar em saúde mental... Um novo entendimento nas igrejas protestantes norte-americanas

Líderes cristãos [norte-americanos] passam a falar de problemas emocionais de forma mais aberta

Por Luciano Portela | Repórter do The Christian Post

Depois do trágico suicídio do filho do pastor Rick Warren a Kay Warren, o assunto sobre as doenças psicológicas veio à tona. Uma pesquisa apontou que cerca de 50% dos cristãos norte-americanos acreditam que a oração e o estudo bíblico tem condições de curar doenças psicológicas, provenientes de distúrbios emocionais, conforme apurado recentemente pela agência LifeWay Research.

O resultado do estudo revela a enorme fé dos cristãos em Deus, conforme avaliou Dr. Tim Clinton, presidente da Associação Americana de Conselheiros Cristãos (American Association of Christian Counselors).

"Eu aplaudo aqueles lá fora que realmente acreditam no poder de Deus. É um momento animador. Pessoas continuamente olham espiritualmente para Deus em busca de esperança, para obter ajuda", disse Clinton para a emissora Moody Radio ao apresentador Chris Fabry nesta última quinta-feira (19).

Dentro de outros dados registrados, 68% dos norte-americanos disseram que se sentem bem-vindos na igreja ao passar por algum distúrbio emocional, enquanto 54% dos entrevistados revelaram que a igreja precisa fazer mais para prevenir o suicídio.

Ao se aprofundar sobre a questão, Clinton afirma que um dos primeiros passos que a igreja deve tomar é evitar discriminação diante de cristãos que utilizam medicamentos para suas doenças psicológicas.

"Muitas vezes nós banalizamos alguns incômodos, especialmente de ordem emocional. De alguma forma, acho que isso é uma fraqueza ou um sinal negativo. Não me interpretem mal, eu entendo os dois lados da questão, eu posso abordar sobre ambos os lados. Sei que há pessoas que se auto-medicam e que provavelmente não precisam de remédio, mas também sei que existem pessoas que não estão tomando e que provavelmente precisam de tratamento por questões biológicas", destaca Clinton.

Já Ed Stetzner, presidente da LifeWay Research, frisa a importância da fé, mas acredita que os cristãos devem se relacionar melhor com o tratamento de problemas emocionais da mesma forma que cuida de doenças físicas.

"As pessoas esquecem que a parte fundamental de uma doença emocional é a palavra 'doença'. Em uma típica igreja evangélica, metade das pessoas acreditam que a doença mental pode ser resolvida por meio de oração e estudo bíblico apenas", declara Stetzner, por meio de um post no blog oficial da LifeWay Research ao comentar sobre a pesquisa.

Vários líderes cristãos recentemente passaram a falar de forma mais aberta sobre distúrbios emocionais, depois de passar pela experiência de lidar com suicídio de seus filhos.

O pastor Rick Warren e sua esposa Kay foram entrevistados há pouco tempo por Piers Morgan, âncora do canal de notícias CNN, para falar sobre o filho Matthew Warren, que cometeu suicídio no início deste ano. Desde o ocorrido, o casal passou a defender veementemente o diálogo da igreja com seus fiéis a respeito de saúde mental.

O pastor Frank Page, ex-presidente da Convenção Batista do Sul dos EUA (Southern Baptist Convention) também perdeu a filha Melissa recentemente em função de um suicídio.

Assim como Warren, Page também ratifica a importância da conversa a respeito de problemas emocionais, e nos últimos meses, convocou uma reunião com outros pastores batistas para discutir a melhor forma de abordar sobre saúde mental dentro da igreja. Ele também escreveu um livro para contar sobre o que viveu com a filha.

Em todos os EUA, os distúrbios emocionais tem dominado a pauta de debates. Casos de mortes trágicas atribuídas a indivíduos com algum desequilíbrio emocional, como os fuzilamentos em Aurora e Sandy Hook, têm sido discutidos cada vez mais em busca de prevenção.

Fonte: http://portugues.christianpost.com

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