sábado, 12 de agosto de 2017

Posvenção e sobreviventes do suicídio: prevenção para se impedir a imitação

Apoio para quem fica

Esse é o conceito de posvenção, a prevenção para futuras gerações. São grupos que assistem os 'sobreviventes' do luto por suicídio (pais, filhos, irmãos, familiares, amigos, colegas)

12.08.2017 - Giovanna Sampaio

 Raiva, culpa e luto são alguns dos sentimentos ambivalentes em relação ao ente querido que faleceu de suicídio. É importante aceitá-los como naturais, conversar e apoiar familiares e amigos, além de buscar atendimento médico e/ou psicológico, quando necessário. Estudos indicam que cada caso de suicídio exerce um sério impacto na vida de pelo menos seis pessoas de forma direta.

Para esses 'sobreviventes' o luto é mais sofrido, uma vez que muitos familiares e a rede de amigos costumam ser julgados erroneamente. A sociedade tende a apontá-los como culpados por não terem percebido sinais e mudanças no comportamento de quem se desapegou da vida.

A conscientização sobre a necessidade de se falar mais sobre o tema é evidenciada em setembro quando é comemorado o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. O mês também foi escolhido para a Campanha Setembro Amarelo, resultado da parceria entre a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina.

A ABP possui uma cartilha voltada para profissionais de saúde que fala do tratamento preventivo ao suicídio também para os sobreviventes, lançada em parceria com o CFM em 2014. "Inicialmente, foi feita para 450 mil médicos, mas devido à alta procura pelo tema, o PDF da publicação é disponibilizado no site ABP", explica o médico psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, ex-presidente da ABP e membro da Comissão Nacional do Setembro Amarelo.

Refletir é preciso

É importante proporcionar às crianças e jovens a oportunidade de desenvolverem habilidades emocionais. Abordar o tema 'morte/finitude' e discuti-lo fora de situação real é uma delas. Isso pode dar a eles a compreensão mais ampla.

"Podemos explicar para crianças pequenas que o suicídio é como estar na estrada dirigindo e baixar um nevoeiro - tão forte que a pessoa perde a visão do caminho, pega uma estrada errada e cai num precipício. Não foi escolha dela, muito menos de quem estava no carro com ela. Mas foi uma fatalidade porque ela não percebeu que precisava de ajuda. Promover esse tipo de reflexão ajuda a criança a ter uma base conceitual impessoal nos momentos difíceis", justifica Tânia Paris, da Associação pela Saúde Emocional de Crianças (ASEC).

Quando a situação já existiu, a família pode acolher e explicar que a pessoa estava doente e sofrendo muito. Não conseguiu sentir-se melhor nem acreditar que um dia isso iria passar. "Mas é possível que o sobrevivente precise de apoio psicológico para superar", explica.

Entre 'iguais'

Atualmente, o Centro de Valorização da Vida (CVV) conta com 13 Grupos de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio (GASS) em funcionamento nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Brasília. Estão previstos ainda para este ano novos grupos no Pará, Pernambuco e Roraima. Apesar de poder ocorrer com qualquer pessoa, a ideia de tirar a própria vida é mais comum em pessoas que já tentaram suicídio ou em familiares de vítimas.

Os participantes têm histórias afetadas pelo suicídio e, na troca de experiências e apoio entre esses 'iguais' buscam superar as dificuldades de ter um recomeço ou superar o drama vivido.

Além da CVV, o atendimento pode ser feito por outras organizações (casas religiosas, universidades, secretarias de saúde, hospitais e ONGs). É exigido o cumprimento do modelo (periodicidade nos encontros, a gratuidade e a supervisão de um psiquiatra ou psicólogo).
Fique por dentro

Habilidades emocionais para jovens e crianças

Por mais impactante que seja uma situação de perda, é importante que crianças e jovens tenham a oportunidade de compreender o que aconteceu e falar sobre seus sentimentos para minimizar a tendência de atribuir a culpa a si mesmos, para que possam elaborar o luto. Crianças muito pequenas, muitas vezes, nem sequer entendem a morte como um evento inevitável da vida e podem se traumatizar mesmo com as que tiveram causas naturais.

"A atenção é fundamental. Não diria 'redobrada', porque cada um lida com seu luto a partir dos recursos que possui. Se antes do ocorrido a criança ou jovem teve oportunidade de desenvolver habilidades emocionais, sua resiliência pode até vir a ser maior que a de um adulto", pondera Tânia Paris, fundadora da Associação pela Saúde Emocional das Crianças, entidade sem fins econômicos, que desenvolveu o projeto 'Amigos do Zippy, presente em mais de 30 países. "Todos merecem atenção, acolhimento, carinho e apoio nessa fase", diz.

Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/vida/apoio-para-quem-fica-1.1802509

terça-feira, 18 de julho de 2017

Oeiras, no Piauí, ganha prêmio por ações em favor da prevenção do suicídio

Oeiras [cidade do interior do Piauí] foi premiada no Congresso Nacional de Secretários Municipais de Saúde, realizado entre 12 e 15 de julho, em Brasília. A equipe da Secretaria Municipal de Saúde apresentou no congresso três experiências exitosas desenvolvidas na cidade, sendo uma delas premiada e reconhecida como a melhor na categoria Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.

Intitulado “Um novo olhar sobre a prevenção do suicídio, na perspectiva de uma abordagem multiprofissional”, o trabalho premiado relata experiências do Núcleo de Prevenção ao Suicídio. Instituído em 2010, pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), o Núcleo desenvolve ações e propostas focadas na linha de cuidado em rede, com o encaminhamento aos serviços de referência (CAPS I) e construção do Projeto Terapêutico Singular e Matriciamento, suporte realizado por profissionais de diversas áreas especializadas dado a uma equipe interdisciplinar com o intuito de ampliar o campo de atuação e qualificar suas ações.

Para a secretária municipal de Saúde, Auridene Freitas, a premiação e o reconhecimento no Congresso são o resultado do trabalho Núcleo. “Estamos trilhando essa luta diária, que é o enfrentamento a esse grave problema de saúde pública que nós temos e que, de certa forma, ainda continua muito mascarado em municípios e estados. Estamos atuando no município de forma silenciosa, sem expor as pessoas que têm ideação suicida envolvendo a atenção básica, através do matriciamento. Esse prêmio traz a certeza que estamos atuando de forma correta e isso nos fortalece para que continuemos a avançar”, comemora a secretária.

“Agora, nos sentimos mais motivados a intensificar essas ações de combate ao suicídio em nossa cidade e procuraremos cada vez mais envolver outros segmentos da sociedade, porque este é um grave problema de todos e não apenas de uma gestão, de uma Prefeitura ou de uma secretaria municipal de Saúde. Então, precisamos envolver outros segmentos”, acrescenta Auridene Freitas.

Em sua 33ª edição, o congresso reúne milhares de trabalhadores do cotidiano do Sistema Único de Saúde (SUS), dentre eles, secretários municipais de saúde de todo o país, profissionais de saúde, dirigentes estaduais e do Ministério da Saúde.

Por Jota Santos
Fonte: http://www.portalodia.com/municipios/oeiras/oeiras-e-premiada-em-congresso-nacional-realizado-em-brasilia-302356.html

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Registrar corretamente tentativas de suicídio ajudará no atendimento

“Após uma tentativa de suicídio iremos receber a notificação no sistema e realizaremos uma busca para saber qual o acompanhamento que a pessoa precisará”, ressalta a enfermeira Hélcia Regina Lima Gonçalves

Roseane Pinheiro | 16/7/2017

A coordenadora do Núcleo de Vigilância de Doenças Não Transmissíveis (DANT’S), Hélcia Regina Lima Gonçalves, defende que é necessário intensificar a cooperação entre as instituições de saúde para a prevenção do suicídio em Imperatriz. Entre os procedimentos está a correta utilização da ficha de notificação compulsória para que possam conhecer a realidade dos casos na cidade.

A enfermeira informa que o núcleo trabalha com todas as patologias não transmissíveis.  Para mapear os procedimentos, é adotada uma ficha de notificação compulsória que identifica as agressões que podem ser autoprovocadas, como o suicídio, ou interpessoais, a violência entre pessoas ou grupos. A entrevista foi concedida ao projeto Coletivas, da disciplina de Técnicas de Reportagem, do Curso de Jornalismo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é uma problema de saúde pública. O Brasil ocupa o indesejável oitavo lugar no ranking de países com maior número de suicídios. Como a sra. vê o suicídio, de acordo com sua vivência na área da saúde?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – O suicídio existe desde que o mundo é mundo. Esse fenômeno vem crescendo a cada dia. Hoje, mais de um milhão de pessoas, morre ou tenta morrer por suicídio no mundo e acaba sendo a décima causa de morte no nosso país. São muitas pessoas morrendo. Enquadramos o suicídio em diversas situações, mas vamos falar de duas vertentes: a positiva e a negativa. Para quem quer cometer esse ato é um pensamento positivo, mas, para nossa cultura, o pensamento suicida é negativista, principalmente porque nossa cultura é muito influenciada pala religião, somos em maioria cristãos e, por essa vertente religiosa, vamos ter o suicídio como um ato negativista. Mas para alguns estudiosos, inclusive jornalistas,  é um pensamento positivo.  E o principal pensamento positivo que a pessoas tem: “Eu vou resolver meus problemas”. Como? Com a morte.

Mas nós trabalhamos o suicídio como uma questão negativa, podemos apontar diversas causas. Uma delas é que pessoas que pensa e comete suicídio estaria teoricamente em estado de depressão e a depressão é a grande patologia do nosso século. Vários problemas de saúde vêm da depressão e o suicídio é um deles.

A ficha de notificação compulsória é recente, antes a mesma era somente preenchida pelos médicos, hoje em dia qualquer profissional de saúde que socorreu a vítima tanto no atendimento público quanto no privado é obrigado a preencher e depois encaminhar ao DANT’S (Doenças de Agravo Não Transmissíveis). Após chegar até vocês, qual o processo?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Após uma tentativa de suicídio iremos receber a notificação no sistema e  realizaremos uma busca para saber qual o acompanhamento que a pessoa precisará. A própria ficha possui um espaço especificando o órgão em que a pessoa pode ser encaminhada. Se for criança ao Conselho Tutelar, se for mulher à Delegacia da Mulher ou clínicas, hospitais, posto de saúde, entre outras instituições. Então buscaremos saber se tal pessoa possui algum acompanhamento, não somente no núcleo, mas na atenção básica de forma geral.

Uma das maiores benfeitorias dessa fixa de notificação compulsória é a identificação e recolhimento de dados de pacientes que tentaram suicídio e encaminhamento para a ajuda necessária. Você acha que em Imperatriz essas notificações estão ocorrendo corretamente e está sendo possível atender a população?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Sendo bem realista, ainda estamos iniciando o processo de atendimento à população. Nós estamos começando o processo de ampliação dos nossos atendimentos e conscientização dos profissionais da área de saúde agora. Temos parcerias com órgãos das mais diversas especialidades, pois não envolve só o suicídio, como, por exemplo: Secretária de Trânsito, a Delegacia da Mulher, as UPA’S (Unidade de Pronto Atendimento), o Socorrão, Socorrinho e hospitais privados, onde temos maior dificuldade. Existem tentativas de suicídio e um número considerável nas classes média e alta, mas não conseguimos identificar com clareza, pois são atendidos em hospitais particulares e pedem sigilo e tem esse direito. Só pode fazer a visita, independente se a rede de atendimento é pública ou privada, se a pessoa permitir e, se caso seja tentativa de suicídio, pois se houver óbito, a família é obrigada a nos receber. Tem um sistema que precisa ser fechado com esses dados de forma adequada, o que chamamos de “investigação de óbito”. Eu costumo dizer que ainda é uma situação subnotificada em Imperatriz. Identificam esses casos através do preenchimento da ficha, daí essas notificações vão até a gente, se não for, muitas vezes ninguém fica sabendo.

O suicídio é provocado por uma junção de diversos fatores. De acordo com os dados levantados, quais são as principais causas que levam uma pessoa a cometer suicídio na cidade?

Hélcia Regina Lima Gonçalves –  Diversos fatores mesmo, o suicídio pode estar ligado à depressão, uma questão financeira negativa, às situações de morte, perda de emprego recentemente, casos de divórcio ou perdeu um grande amor. A questão amorosa influencia muito e gera depressão, principalmente em jovens e adultos, entre outros fatores.

Nesse sistema de notificação existe uma classificação para registrar se houve reincidência em casos de suicídio?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Temos na ficha um espaço que pergunta se é a primeira vez que a pessoa tenta o suicídio ou se já e consecutivo e será marcado o caso da pessoa. Se for consecutivo a gente pensa: “poxa, essa pessoa não está tendo uma ajuda necessária”. Então fazemos um atendimento para ela o mais rápido possível. Quando eu falo em descentralização para as unidades é porque não conseguimos ir à casa de todos que precisam de ajuda em Imperatriz. Até porque não atuamos somente em Imperatriz, recebemos notificações de várias outras cidades mais próximas, incluindo os estados do Pará e Tocantins, pois essas cidades trazem o paciente para o atendimento aqui nos hospitais municipais.

Pode acontecer de um funcionário da saúde não preencher essa ficha ou não preencher de forma correta? E sem tem alguma punição nesses casos?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Não existe. O profissional irá receber uma notificação para esclarecer o porquê do não preenchimento da ficha. Não haverá punições ou advertências, mas uma orientação dos responsáveis do setor para que possa acontecer a execução dessa tarefa de forma correta. Essa é somente uma das diversas fichas que existem para serem preenchida naquele lugar, por aquela pessoa. Quando você exerce uma função, adquire várias obrigações e você não deve deixar de fazer nenhuma dela se forem suas. Qualquer profissional de saúde pode fazer o preenchimento da ficha do paciente. É claro que logo que der entrada é necessário que se priorize a vida, mas antes desse paciente receber alta, esse procedimento tem que ser realizado. Caso a nossa instituição seja comunicada, mesmo se for um caso que não foi notificado antes, iremos assistir esse paciente da mesma forma. Muitas vezes os parentes, vizinhos ou agentes de saúde nos procuram e, por fim, nos dirigimos até a residência para realizar o atendimento.

A rede pública de saúde tem que trabalhar em parceria de forma coesa. Quais desses parceiros seria o principal?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Os postos de saúde são de suma importância na identificação de ideação suicida. Nos bairros estão os postos de saúde com médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes de saúde. Eles estão mais próximos da população. Os agentes de saúde é aquele indivíduo que sempre está na sua casa. De alguma forma, ele vai participar da sua vida, ouvindo, observando o que circunda. É chamado de “fofoqueiro”, sempre querendo saber da vida das pessoas, mas na verdade ele quer saber é da saúde da população. O agente de saúde vai visitar e tentar entrar nesse aspecto. Por quê? Vai proporcionar o tipo de ajuda que a pessoa está necessitando e a encaminhará para o atendimento certo.

Como é feita a abordagem com uma pessoa que tentou o suicídio?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Nós não podemos ser tendenciosos, em hipótese alguma. Não podemos envolver aspectos religiosos. Eu tenho a minha, ele (paciente) tem a dele, que pode até ser a mesma minha, mas não podemos envolver esse aspecto de nenhuma forma, definindo o que é certo ou errado. Nós devemos descobrir o porquê de tal atitude para fazero encaminhamento mais adequado. Nem todos os praticantes de suicídio possuem problemas mentais, diferente do que a maioria das pessoas pensa. As doenças mentais são diversas e temos que ter cuidado ao analisar cada caso. Por exemplo, tem pessoas que fazem a auto-mutilação, porém não é considerado tentativa de suicídio. A pessoa se corta toda ou decepa partes do corpo, mas não quer provocar sua morte. Ela está agredindo, se violentando e se mutilando, mas nem por isso quer se matar.

Qual e a relação entre álcool, drogas e o suicídio?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Os jovens tendem a ir mais para o lado das drogas ilícitas, no início. Alguns procuram para se sentirem melhor, outros, por outro lado, procuram porque já conhecem e sabem que vai “deprimir” seu sistema nervoso central. Entre os jovens e adolescentes, o que mais intensifica o desejo de se suicidar é o uso de álcool, seguido das drogas ilícitas. O uso de álcool está tão livre, porque, mesmo estando lá escrito “proibido a venda de álcool para menores de 18 anos”, vemos muitos jovens de ambos os sexos bebendo livremente.  Nossa forma de nos vestir confunde, os adultos se vestem como adolescentes e os adolescentes se vestem como adultos e não sabemos mais a idade cronológica das pessoas. Por isso você senta em uma mesa de bar, toma uma bebida e ninguém te pede um documento para confirma tua idade, no Brasil ainda é assim. Em outros países, só é possível entrar em bares se apresentarmos documentos de identidade. E, por isso, o alcoolismo tem crescido muito e o suicídio junto, visto que é um dos fatores agravantes.  Isso não quer dizer que vou ficar bêbado e vou querer me suicidar. Algumas vezes sim, outras não.

Qual o perfil das pessoas que tentam o suicídio em Imperatriz, segundo os registros oficiais?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – É mais comum entre mulheres de classe média, na faixa etária entre 13 a 35 anos. As pessoas tentam se suicidar de diversas formas, geralmente por pesticidas, que não é somente remédios para rato. (...) Só no ano passado em Imperatriz, tivemos um registro de 32 tentativas de suicídios entre mulheres, destas 22 dos casos foi por envenenamento e 2 intoxicações medicamentosa, apenas 2 por arma de fogo e 1 óbito, ou seja, das 32 tentativas, somente oito casos não foram por tentativa de envenenamento. Já no mês de março deste ano, tivemos 23 tentativas de suicídios e dois óbitos, números que precisam ser combatidos com urgência.

Sua experiência na área da saúde lhe garante uma percepção mais aguçada para notar quando uma pessoa esta precisando de ajuda. Como você faz essa identificação do paciente?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Como enfermeira, recebemos muitas pessoas e podemos perceber pela fala, no momento do atendimento, que ela está enfrentando alguma situação que pode levar ao suicídio. Quando a pensar diz: “eu quero sumir por um tempo”; “quero dormir e não acordar mais”; “quero dormir por três dias”, é preciso ficar atento, principalmente pessoas mais próximas como filho, pais e amigos, independente da idade. A pessoa pode estar com algum problema grave. Para você pode não ser, mas para ela sim. Temos que pensar da seguinte forma: somos indivíduos diferentes, mesmo que passemos pelo mesmo problema, cada um vai agir de uma forma diferente. Então todos nós devemos ficar atentos principalmente para as pessoas mais próximas da gente, assim podemos ajudá-las a tempo.

http://www.imperatriznoticias.com.br/noticias/capa/registrar-corretamente-tentativas-de-suicidio-ajudara-no-atendimento/

sábado, 15 de julho de 2017

Livro sobre suicídio e sua prevenção é lançado na Paraíba

O que homeopatia, reiki, espiritismo, emoterapia, constelação familiar, acupuntura, terapia floral, yoga podem ter em comum? São meios de prevenção do suicídio.

Na obra, a ser lançada hoje, 15 de julho de 2017, a bibliografia sobre a prevenção do suicídio se enriquece.

Livro reúne 13 textos de autores de diversas áreas abordando a problemática do suicídio
O livro “Suicídio: prevenção, posvenção e direito à vida – Volume I”, da Fonte Editorial, será lançado neste sábado (15), às 17 horas, no Centro Cultural Ariano Suassuna, do Tribunal de Contas do Estado, em Jaguaribe, que inseriu o evento na programação literária da Casa. Em seguida ao lançamento, haverá uma apresentação da Banda 5 de Agosto, com formação de Big Band e participação especial da Solista Amanda Cunha. O público poderá ainda prestigiar a exposição de telas do artista plástico Guto Holanda, paulistano radicado na Paraíba desde 2011 e cujo talento tem passado pelas melhores galerias e espaços da cultura paraibana.

Organizado pela professora doutora Iracilda Cavalcante de Freitas Gonçalves, que também assina um dos artigos, o livro reúne 13 textos de autores de diversas áreas abordando a problemática do suicídio por diversos prismas, cada um em seu campo de atuação.

“Imbuídos do compromisso de colaborar com a minoração do número de incidências de suicídios e tentativas de suicídio, os autores que compõem a coletânea decidiram ‘arregaçar as mangas’ e enfrentar, sem temor, tabus, silêncios ou silenciamentos, o complexo e multifacetado fenômeno”, explica Iracilda, que é doutora em Letras pela UFPB, pós-doutora em Ciência da Religião pela Universidade de Juiz de Fora, membro do Grupo de Estudos em Psicanálise e Suicídio e organizadora do Núcleo de Estudos, Prevenção e Posvenção do Suicídio (NEPPS).

Os autores e seus temas
Maria do Socorro Sousa, médica com especialização em pediatria e homeopatia, escreve sobre “Homeopatia e sintomas de predisposição suicida”.

Sayonara Maria Lia Fook, doutora em Farmácia e coordenadora do Ceatox de Campina Grande, e Mayrla de Sousa Coutinho, enfermeira e mestre em Saúde Pública, tratam de “Suicídio por envenenamento: entre o viver e o morrer”.

Luciana Silveira, mestre em Reiki e palestrante sobre o tema, Reike, yoga e câncer, aborda “Reiki na depressão e na pessoa com ideação suicida”.

Vânia Reis, professora e pesquisadora aposentada da UFPI, e Rener Leite da Cunha, fitoterapeuta, assinam  o capítulo que enfatiza “A vida é um presente de Deus: potencializando a ação do centro espírita em defesa da vida”.

Rosângela Xavier da Costa, administradora e mestre em Ciência das Religiões escreve sobre “Constelação familiar e suicídio: caminhos entrelaçados de amor”.

Iracilda Cavalcante de Freitas Gonçalves, pós-doutora em Ciência da Religião pela Universidade de Juiz de Fora, trata acerca da educação emocional no artigo: “Emoterapia: descobrindo sentidos do viver pelo autoconhecimento e pelo autocuidado”.

Norma Pereira Dantas Cavalcanti e Keyla Dantas Cavalcanti de Sousa, médicas homeopatas e acupunturistas discorrem  sobre “A importância do tratamento de acupuntura na depressão e doenças mentais para prevenção do suicídio”.

Carmen Dolores Gomes Marinho, médica especialista em Pediatria, Infectologia e Homeopatia, escreve sobre “Terapia Floral como meio preventivo de suicídio”.

Cláudia Maria de Carvalho, jornalista e radialista, mestranda em Jornalismo Profissional pela UFPB, assina o artigo “Suicídio: a pauta proibida”, explicando o tabu que envolve o assunto no ambiente jornalístico, suas razões e como o tema pode ser noticiado de maneira adequada.

Maria Lúcia Abaurre Gnerre, doutora em História, professora da UFPB e pesquisadora das religiões orientais assina o artigo “Yoga e prevenção do suicídio: uma abordagem com base no método da Ashtanga Vinyasa Yoga”.

Matheus da Cruz e Zica, pós-doutor em História pela UFMG, professor do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e pesquisador dos campos da História, da Educação e da Psicanálise,  apresenta “Considerações acerca da educação para uma morte digna”.

Ageirton dos Santos Silva, voluntário do Centro de Valorização da Vida, professor do IFPB e doutor em Letras pela UFRN, escreve sobre “CVV: uma história de amor pela valorização da vida, identificada com a prevenção ao suicídio”.

Eduardo Sérgio Soares Sousa; médico, doutor em Ciências da Saúde e Sociologia; Henrique Miguel de Lima Silva, doutorando e mestre em Linguística; Josefa Ângelo Pontes de Aquino, farmacêutica e supervisora de Análise de Epidemiologia da Secretaria de Saúde da Paraíba; e Márcio Rijoan Albuquerque Cavalcante, graduando em Odontologia, Saúde Coletiva e Educação e Saúde produzem em coautoria o artigo: “Já não me importo mais: um estudo do suicídio no Estado da Paraíba entre 2006 e 2015”.

Fonte: http://www.diariodosertao.com.br/noticias/cultura/209395/livro-que-aborda-o-suicidio-sob-os-olhares-de-varios-especialistas-sera-lancado-neste-sabado-na-paraiba.html

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O suicídio, a imitação e o papel da imprensa

Entre Werther e Papageno

O pesquisador David Phillips cunhou o termo, “efeito Werther” para se referir ao fenômeno dos suicidas imitadores. O resultado: foi recomendado que histórias sobre suicídio não fossem noticiadas com ênfase pela imprensa

julho de 2017
Da redação

A série 13 reasons why causou furor. Na trama, uma estudante do ensino médio se suicida e deixa 13 fitas, uma para cada pessoa que ela acredita ter contribuído de alguma forma para sua decisão. Cada episódio refere-se a uma dessas gravações. Alguns dizem que a série é um retrato preciso e sensível da angústia e pode ajudar a esclarecer as motivações por trás do ato de atentar contra a própria vida. Os críticos, entretanto, temem a glamorização desse gesto ou sua normalização como uma opção legítima para tratar frustrações, o que pode conduzir ao aumento desse tipo de ocorrência. Afinal, é bem conhecido na literatura especializada o fato de que o suicídio pode ser um fenômeno contagioso.

Qualquer possível causa de tal proliferação deve ser levada a sério, embora, do ponto de vista científico, o papel da ficção na inspiração do suicídio seja, na melhor das hipóteses, pouco claro. Obviamente a série não é a primeira obra a deflagrar controvérsias. Romeu e Julieta,de William Shakespeare, foi acusada inúmeras vezes de exaltar o suicídio de jovens. O romance de Johann Wolfgang von Goethe Os sofrimentos do jovem Werther, lançado em 1774, descreve a dor de um rapaz por causa de seu amor por Charlotte, que se casa com Albert, amigo do protagonista. Atormentado, Werther decide que um deles deve morrer e acaba atirando em si próprio com a pistola de Albert. Acreditava-se que o trabalho de Goethe tenha levado muitos jovens a decidir terminar sua vida em toda a Europa, vários deles usando armas e vestidos com roupa similar à descrita pelo autor. Alguns até tinham cópias do romance ao lado de corpo, abertos na página que relatava o suicídio.

O pesquisador David Phillips, que se dedicou a estudar o tema, cunhou o termo, “efeito Werther” para se referir ao fenômeno dos suicidas imitadores. O resultado da pesquisa de Phillips, da década de 70, foi a recomendação de que as histórias sobre suicídio não fossem noticiadas com ênfase pela imprensa. Ele considerou também que a cobertura excessiva da mídia de suicídios de celebridades realmente levou a um aumento nas tentativas de atentar contra a própria vida. As mulheres na faixa dos 30 anos pareciam mais propensas ao ato após a morte de Marilyn Monroe, em 1962.

Em Viena, na década de 80, uma série de suicídios cometidos no metrô foi combatida pela decisão dos principais jornais da cidade de reduzir substancialmente a publicidade dessas mortes. Depois de certa data, essas ocorrências já não eram mencionadas. Isso coincidiu com uma queda progressiva no número de casos, o que ilustrou o poder da mídia para o bem.

Contrariando o efeito Werther, há o efeito de Papageno, numa referência ao personagem da ópera A flauta mágica, de Wolfang Amadeus Mozart. Convencido de que nunca vai conquistar seu amor, Papageno, ele tenta se enforcar, mas é persuadido por três espíritos a não acabar com sua vida.

Os pesquisadores King-wa Fu, professor associado no Centro de Estudos de Mídia e Jornalismo da Universidade de Hong Kong, e o cientista social Paul Yip, fundador e diretor do Centro de Pesquisa e Prevenção do Suicídio da Universidade de Hong Kong, examinaram os impactos da morte de três celebridades asiáticas, comparando registros semanas antes e depois das ocorrências. Eles descobriram um aumento substancial no número de suicídios na primeira, segunda e terceira semanas após a morte de cada celebridade em Seul, Hong Kong e Taiwan, em comparação com um período de referência. A maior incidência de vítimas estava entre pessoas com idade próxima e do mesmo gênero das celebridades.

Cientistas reconhecem, no entanto, que a evidência de relações entre suicídios em ficção de suicídio na TV e no cinema é mais complicada. A revisão da literatura sobre filmes e retratos televisivos de suicídio não revela conclusões sobre o impacto de suicídios ficcionais sobre os resultados suicidas reais na população em geral. Mas sabem que a identificação com a vítima é fator importante para desencadear a imitação. E circunstâncias que facilitam o comportamento suicida são contrabalançadas por fatores protetores que o inibem, como a fé religiosa, a presença de apoio social (amigos, família) e capacidade de perceber que as situações, por piores que pareçam – ou de fato sejam –, não são permanentes.

Números preocupantes

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o suicídio como uma prioridade de saúde pública, já que as taxas têm aumentado desde a década de 90, ano em que a OMS lançou um programa de prevenção. Em média, 800 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos, e 75% desses casos ocorrem em países de média e baixa renda. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é a segunda maior causa de morte, perdendo apenas para acidentes de trânsito. O índice nessa faixa etária entre as mulheres é de 2,6 casos por 100 mil habitantes, mas a taxa salta para 10,7 na população masculina. Mas um dado chama atenção: entre 2010 e 2012, o mais recente período de análise de dados da OMS, o índice feminino cresceu quase 18%.

Os países que realizaram campanhas de esclarecimento a respeito do problema conseguiram baixar seus números. Cerca de 90% dos casos poderiam ter sido evitados. Segundo estimativas da OMS, para cada caso há pelo menos 20 tentativas malsucedidas. Os maiores índices de suicídio no Brasil ocorrem em áreas de concentração de comunidades indígenas. Segundo estudo da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), das cinco cidades com as maiores taxas de suicídio de jovens, quatro ficam no Amazonas.

Para lidar com a questão, em 1962 foi criada a organização filantrópica Centro de Valorização da Vida (CVV), que presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional com o intuito de prevenir suicídio ou apenas atender pessoas que precisem e queiram conversar, com total sigilo. Após a exibição da série 13 reasons why, os pedidos de ajuda ao CVV duplicaram.

Fonte: Mente Cérebro (Scientific American)
http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/entre_werther_e_papageno.html

sábado, 1 de julho de 2017

Sono como possível indicador de tendência suicida

Problemas de sono podem sinalizar agravamento de tendências suicidas em jovens

Alterações do sono se diferenciam de outros fatores de risco porque são visíveis como um sinal de alarme, afirma pesquisadora.

O estudo aponta que o tratamento dos problemas relacionados à falta de sono pode aliviar a tendência suicida, a segunda causa de morte entre adultos jovens no país, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

"O suicídio é o resultado trágico de doenças psiquiátricas que interagem com múltiplos fatores de riscos biológicos, psicológicos e sociais", destacou Rebecca Bernert, professora de Psiquiatria e Ciências do Comportamento de Stanford e uma das autoras da pesquisa.

"As alterações do sono se diferenciam de outros fatores de risco porque são visíveis como um sinal de alarme, ainda que não estigmatizem e sejam altamente tratáveis", enfatizou Rebecca.

O estudo também apresenta uma importante colaboração para o tratamento deste problema, que causou a morte de 44 mil pessoas nos EUA em 2016, segundo a Fundação Americana para Prevenção do Suicídio.

A pesquisa recolheu tanto informações objetivas quanto reportadas pelos 50 participantes adultos com idades entre 18 e 23 anos e alto risco de suicídio, selecionados a partir de uma base de investigação de cerca de cinco mil estudantes universitários.

O sono dos participantes no estudo foi observado objetivamente durante uma semana, na qual um sensor especial instalado em seus pulsos - configurado para medir o sono - foi usado a fim de determinar se dormiam ou se estavam acordados.

Tanto no início da pesquisa como após 7 e após 21 dias, os participantes responderam questionários para medir a gravidade dos seus sintomas suicidas, insônia, pesadelos, depressão e consumo de álcool.

Aqueles que tinham um maior grau de variação do momento em que adormeciam durante a noite até a hora em que acordavam mostraram uma maior tendência a apresentar sintomas suicidas nas revisões dos 7 e 21 dias. Igualmente, aqueles que reportaram maior quantidade de horas de insônia e pesadelos mostraram tendências suicidas mais altas.

"Os transtornos do sono e as ideias suicidas são sintomas de depressão, por isso é fundamental destrinchar estas relações e avaliar os fatores que se sobressaem para prever o risco", ressaltou Rebecca.

"Acreditamos que o estudo das perturbações do sono pode representar uma importante oportunidade para a prevenção do suicídio", opinou.

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/problemas-de-sono-podem-sinalizar-agravamento-de-tendencias-suicidas-em-jovens.ghtml

terça-feira, 13 de junho de 2017

Mitos e verdades sobre o suicídio segundo André Trigueiro


Cão que late não morde

A maioria das pessoas que tiraram a própria vida ou tentaram fazê-lo (pelo menos dois terços dos casos) anunciaram a intenção previamente.

Se alguém deseja se matar, não há nada que possa ser feito

Ajuda apropriada e apoio emocional podem reduzir o risco de suicídio. Não é possível evitar em 100% dos casos, mas em grande parte das situações.

Quem só fica tentando o suicídio, não vai se matar realmente

Quem já tentou se matar alguma vez pertence ao grupo de maior risco de suicídio e deve ter suas ameaças sempre levadas a sério.

Falar sobre suicídio pode encorajá-lo

Ao contrário. Dar oportunidade para alguém desabafar e compartilhar seus maiores medos e sentimentos pode fazer a diferença em favor da vida.

Se uma pessoa já pensou seriamente em se matar, ela será sempre um suicida

Quem deseja tirar a própria vida pode pensar isso por um período limitado de tempo. Com apoio emocional, pode superar a crise e seguir em frente.

O suicídio é um ato de covardia (ou de coragem)

O que dirige a ação autoinfligida é uma dor psíquica insuportável e não uma atitude de covardia ou coragem.

Pessoas que se matam não avisam a ninguém

De cada dez pessoas que cometem suicídio, oito deixam pistas concretas de suas intenções. Mas essas advertências nem sempre são verbais ou percebidas com clareza por quem está próximo.

Quem fala sobre suicídio está tentando apenas chamar a atenção

Em mais de 70% dos casos, quem ameaça se matar realiza a tentativa ou comete suicídio. Quem pensa seriamente em suicídio costuma deixar pistas ou avisos que devem ser entendidos como gritos de socorro.

A melhoria do estado emocional elimina o risco do suicídio

Em boa parte dos casos, os suicídios ocorrem no prazo de até três meses após uma aparente melhora, depois de um estado depressivo severo.

Depois que uma pessoa tenta se matar, é improvável que ela tente novamente

Em 80% dos casos, quem comete suicídio já realizou pelo menos uma tentativa anteriormente.

Uma tentativa de suicídio mal sucedida significa que a pessoa não estava realmente determinada a se matar

Algumas pessoas são ingênuas quando intencionam se matar. A tentativa em si é o fator mais importante, não o método.

Trechos do livro Viver é a melhor opção, a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo, de André Trigueiro (Editora Correio Fraterno, 2015).

Fonte: http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1939:mitos-e-verdades-sobre-o-suicidio&catid=118:prevencao-do-suicidio&Itemid=2

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Proposta de Semana Nacional de Valorização da Vida no Senado Federal

Segue um extrato da notícia publicada. Fazemos votos para que, em meio a tantos problemas, se consiga fazer passar no Senado esta proposição!


Brasil poderá ter evento nacional destinado à prevenção do suicídio
Tatiana Beltrão 30/05/2017

Começa a tramitar nesta terça-feira (30) no Senado um projeto de lei que institui a Semana Nacional de Valorização da Vida, um evento anual para prevenção ao suicídio. Durante a semana, governos e sociedade deverão promover atividades em todo o país para debater estratégias de conscientização e esclarecer a população sobre questões como o que pode levar alguém a tirar a própria vida, quais os possíveis sinais de alerta e onde procurar ajuda. O evento deverá ser realizado na semana do dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

O projeto, do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), é uma resposta a uma preocupação antiga de entidades médicas. O suicídio é um grave problema de saúde pública. Faz mais vítimas do que a guerra e os homicídios, somados. É a segunda causa de morte de jovens no mundo. Mata mais do que o HIV. E apesar dessa gravidade, ainda é um tabu, cercado de preconceitos e do qual pouco se fala.

Garibaldi relata que decidiu apresentar o projeto após ser procurado por integrantes da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que expuseram a ele a importância de combater o estigma em torno do suicídio e também da doença mental. Por isso, outro foco da Semana de Valorização da Vida será mobilizar a sociedade contra o preconceito em relação a essas doenças, que estão diretamente relacionadas ao risco de morte autoinfligida.

https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/especial-cidadania/brasil-podera-ter-evento-nacional-destinado-a-prevencao-do-suicidio

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Uma das melhores reportagens sobre prevenção do suicídio de 2017

A reportagem citada no título foi publicada pela Folha do Mate, jornal impresso e digital de Venâncio Aires, do Rio Grande do Sul.

Esta peça jornalística merece ser utilizada em oficinas de texto sobre como veicular informações sobre o suicídio, uma necessidade urgente!

A única foto que reproduziremos é de Monyque Schmidt, que tentou o suicídio e, hoje, tornou-se uma ativista em favor da prevenção do suicídio.

Reproduziremos a reportagem, abaixo, na íntegra.

Suicídio: no silêncio dos jovens, um pedido de ajuda

Juliana Bencke, em 27/05/2017 

O suicídio de um menino de 16 anos, há exato um mês, acendeu o sinal vermelho para uma situação que se esconde no silêncio, no sorriso das fotos do Facebook e na vida atribulada de muitos jovens. Além do garoto que tirou a própria vida, outras cinco tentativas de suicídio entre adolescentes de até 18 anos foram registradas em Venâncio Aires, desde o início do ano.

Elas se somam a outros 28 casos de adultos que atentaram contra a própria vida, só em 2017, conforme dados da Vigilância Epidemiológica do município. "É uma situação preocupante", considera a psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial (Caps II), Gabriela Ballardin Geara.

A falta de um Caps Infantil no município, serviço que atende crianças e adolescentes com problemas de saúde mental, agrava ainda mais o cenário. Atualmente, menores de idade que necessitam de atendimento psiquiátrico são encaminhados ao Caps Infantil de Rio Pardo.

Apesar disso, são apenas oito atendimentos e duas novas consultas oferecidas por mês. "Existe o projeto para criação de um Caps Infantil no município, mas está parado no Ministério da Saúde. Não estão habilitando nenhum novo serviço", afirma o secretário municipal de Saúde, Ramon Schwengber.

Em sintonia com o trabalho do Conselho Tutelar e das escolas, o Centro de Integração de Educação e Saúde (Cies) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) absorvem parte da demanda. O primeiro, realiza atendimento a alunos com dificuldade de aprendizagem, enquanto o segundo atende crianças e adolescentes vítimas de violência física, psicológica e sexual.

Apesar disso, a falta de um serviço especializado em saúde mental para crianças e jovens impede que muitos casos sejam tratados como necessitam. Além disso, dificulta a obtenção de uma estatística sobre a real da situação e, até mesmo, impossibilita que os todos os casos cheguem à rede de saúde.

Embora o hospital já tenha atendido até mesmo casos de tentativas de suicídio por adolescentes de 12 anos, não é comum chegarem à instituição jovens que atentaram contra própria vida. Profissionais da instituição ponderam, no entanto, que muitas tentativas são camufladas: são desde casos de automutilação, que podem ser considerados 'acidentes', até situações em que o jovem se dopa de remédios e dorme por muitas horas.

"Só chegam ao hospital os casos mais graves", observa a psicóloga Susan Artus Dettenborn, gerente assistencial do HSSM. Junto da psicóloga Ana Lúcia Oliveira e da assistente social Ana Paula, ela explica, inclusive, que muitos casos de automutilação são tentativas veladas de suicídio. "Muitos jovens que praticam a automutilação relatam que têm vontade de morrer. Alguns chegam a dizer que se cortam porque não têm coragem de se matar", comenta.

Cortes tentam aliviar a dor

Embora não entrem nas estatísticas, casos de automutilação entre adolescentes são comuns em Venâncio Aires. Enquanto parte dos cortes seguem escondidos debaixo de casacos e camisetas de manga comprida, alguns casos chegam a conhecimento do Conselho Tutelar. Às vezes, o encaminhamento ocorre pela escola. Em outras, a própria família procura ajuda.

De acordo com a conselheira Maria Izonete Bertam, casos de meninas que se cortam são atendidos pela equipe do Conselho e, em geral, têm como motivação problemas relacionados à desestrutura familiar, além de casos de abuso sexual e uso de drogas. "A maioria das adolescentes que se automutila faz isso para chamar atenção e mostrar que algo não está bem, para tentar cessar uma dor que não conseguem resolver", comenta.

Em geral, além de chamarem os pais das vítimas para conversar sobre a situação, sempre que necessário, os conselheiros tutelares encaminham os adolescentes para atendimento psicológico no Creas. "Ao longo dos anos, esses casos têm aumentado. O que percebemos é que os adolescentes têm muita informação, mas pouca comunicação. Não conseguem se expressar", observa Maria Izonete.

A psicóloga Gabriela Ballardin Geara explica que, por meio da automutilação, vítimas de um profundo sofrimento emocional tentam aliviar a sua dor 'interna' transferindo-a para o corpo. "A automutilação é uma forma de expressão de quem não consegue mais verbalizar. É um pedido de ajuda. A pessoa precisa estar muito fragilizada para fazer isso", ressalta.

"Queria matar aquela dor"

Uma angústia imensa e um sentimento de frustração tomavam conta de Monyque Schmidt. Prestes a completar 20 anos, ela tentou aliviar, com a bala de um revólver, o sofrimento que a consumia. 'Parecia que tudo era pior do que realmente era. Só via o lado negativo de tudo. Eu me sentia muito mal. Não tinha vontade de levantar da cama.'

Em meio a uma vida atribulada, à morte do avô e à sensação de uma cobrança de que sempre era preciso fazer mais, a jovem sentia-se desanimada. "Só conseguia pensar nas coisas que eu era incapaz de fazer. Eu exigia demais de mim e como não conseguia fazer tudo, achava que eu era incapaz."

Durante um mês, Monyque remoeu a angústia e a tristeza, e começou a pensar que queria morrer. "Tinha vergonha de falar o que eu estava sentindo. Me abri com a minha irmã, mas proibi ela de falar para meus pais", conta.



No início da noite de 6 de novembro de 2014, depois de discussões, ao longo do dia, tentou tirar a própria vida. "Eu só pensava que ia acabar com meu sofrimento. Foi o pior dia da minha vida, porque eu me sentia muito mal. Não tem nem como explicar, era algo muito forte. Queria matar aquela dor."

O tiro disparado por Monyque lesionou a medula e tirou da moça a capacidade de andar. "Logo comecei a sentir um formigamento nas pernas", lembra. Além da dor - que ainda persiste - e da recuperação lenta, ela precisou aprender a conviver, de forma ainda mais intensa, com olhares e julgamentos alheios.

"No começo, não saia de casa para nada. Eu escutava as pessoas falando na rua 'foi aquela guria que se deu um tiro', 'ela fez isso porque não tinha Deus no coração'. As pessoas falavam comigo e olhavam para as minhas pernas, não para os meus olhos", desabafa.

Com a certeza de que, para viver, "é preciso muito mais coragem", Monyque faz questão de falar sobre tudo o que aconteceu. Quer dividir a experiência e impedir que outros jovens passem pela mesma situação. Aos 23 anos, ela entende que, falar de suicídio é falar sobre como proteger a vida. 'Muita gente vem me procurar para conversar, porque acham que eu vou entender o que estão sentindo. É importante procurar ajuda com psicólogo. Todos nós precisamos de psicólogo. É importante chorar. Todo mundo tem direito de ficar triste, de ter suas fraquezas. De repente, se eu tivesse tido informações, naquela época, nada disso teria acontecido.'

Por meio das sessões diárias de fisioterapia, Monyque se esforça para voltar a andar. Na companhia da família e do namorado Ricardo de Campos, 23 anos, ela cultiva o bom humor, a vaidade e o gosto por passear. No futuro, quer fazer faculdade. 'No começo, achava que minha vida tinha acabado. Agora é diferente. Quero voltar a andar, mas, se isso não acontecer, não vou ficar triste.'

Para a jovem, a chance que teve de recomeçar a vida é a confirmação de que tudo passa. "Mesmo que tudo pareça ruim, é um ciclo. Pode estar ruim agora, mas depois fica bem. O importante é procurar ajuda."

"O suicídio é um ato de desespero"

Depressão, desamparo, desesperança e desespero. De acordo com a psicóloga Gabriela Ballardin Geara, esses quatro fatores estão diretamente ligados a casos de suicídio. "O suicídio não é uma escolha boa e natural, é fruto do sofrimento. Ninguém em sã consciência, que esteja bem, quer terminar com a própria vida. O suicídio é um ato de desespero, por meio do qual a pessoa quer por fim no seu sofrimento", enfatiza a profissional.

Gabriela explica que, durante a adolescência, a família deixa de ser a maior referência para o filho. Em meio a mudanças físicas e psicológicas e a um 'vazio emocional' vivenciado pelo adolescente, se não houver um vínculo familiar forte ou uma boa relação social (grupo de amigos), ele pode encontrar a referência para seu comportamento em um jogo como o Baleia Azul, o qual propõe desafios como se cortar, deixar de comer e tirar a própria vida.

Segundo a psicóloga, o fortalecimento do vínculo familiar deve ser a principal aposta dos pais para evitar o suicídio dos filhos: é preciso conhecê-los, para identificar mudanças de humor e comportamento. "A proximidade é o que protege. Algumas pessoas conseguem pedir ajuda ao sentirem que não estão bem, mas algumas não conseguem", alerta.

Fonte: http://www.folhadomate.com/noticias/local/suicidio-no-silencio-dos-jovens-um-pedido-de-ajuda-

sábado, 27 de maio de 2017

Ações permanentes de prevenção do suicídio no Piauí

 O Piauí é, sem dúvida, um dos estados em que a prevenção do suicídio tem uma atenção permanente por parte das autoridades.

Mais uma notícia auspiciosa.

Profissionais da Sasc recebem capacitação em palestra sobre abordagem e prevenção do suicídio
Dentre os pontos abordados, foi mostrado que uma das formas de prevenção é falar abertamente sobre o assunto
Nahiza Monteles

Com foco na capacitação de profissionais da área de assistência social e cidadania para atuar na prevenção do suicídio, a Sasc [
Secretaria Estadual da Assistência Social] promoveu, nesta quarta-feira(24), no auditório do órgão, a palestra “Falando abertamente sobre o suicídio”, que foi proferida pela psicóloga e membro do Grupo de Trabalho e Prevenção do Suicídio do Estado do Piauí, Thatila Brito.

A saúde mental, definições de termos, esclarecimento sobre a abordagem e entendimento sobre contexto e prevenção foram alguns dos pontos explanados na palestra, que mostrou aos participantes que é recomendado que se fale sobre o tema. “Uma das grandes formas de prevenção é falar sobre o assunto. Podemos e devemos falar sobre suicídio, claro, seguindo todas as recomendações indicadas pelo Ministério da Saúde”, ressaltou Tathila Brito.

 “E uma oportunidade como essa palestra na Sasc se faz necessária também no sentido de capacitar e fornecer subsídios básicos para que os profissionais possam instrumentalizar, em suas áreas, sobre como tratar do assunto e formas de prevenção do suicídio”, afirmou a palestrante.

Os dados em torno do suicídio têm sido cada vez mais alarmantes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que todos os anos há cerca de um milhão de casos de suicídio em todo o mundo, sendo que cada um deles tem um sério impacto na vida de pelo menos 6 pessoas. Somente no Brasil, são registados cerca de 31 casos de suicídio por dia. Dentro desse dado nacional, a cidade de Teresina figura sempre entre os primeiros lugares nos altos números registrados.

Para a psicóloga e coordenadora na Diretoria de Proteção Social Básica, Laiana Ibiapina, a realização da palestra é crucial para desmitificar o tema, para saber falar sobre o assunto e ajudar a reduzir os números de casos. “Além de políticas públicas, é de suma importância que palestras dessa natureza sejam realizadas para fortalecer essa discussão, ainda mais numa cidade como Teresina, que apresenta altos índices de casos de suicídio. A sociedade precisa debater e saber as causas para que haja prevenção”, declarou Laiana.

A importância de participar do evento também foi ressaltada pela professora do Centro Educacional de Internação Provisória, Francisca Célia Silva, que destacou a oportunidade de se capacitar em sua atuação profissional “Como agentes sociais, é necessário estarmos por dentro de todos os fatores do tema em questão. Quanto mais esclarecimento, mais podemos ajudar as pessoas com quem lidamos diariamente”, frisou Célia.


Fonte: http://www.pi.gov.br/materia/sasc/profissionais-da-sasc-recebem-capacitacao-em-palestra-sobre-abordagem-e-prevencao-do-suicidio-1139.html
 


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Conversar, serenamente, é preciso! Rodas de conversa sobre depressão e prevenção do suicídio

No Recife, rodas de conversa abordam depressão, prevenção do suicídio e valorização da vida
Quem participou, na manhã deste sábado (20), da Ação Social do Sítio Trindade, em Casa Amarela (Zona Norte do Recife), teve a oportunidade de participar de rodas de conversa sobre depressão e prevenção do suicídio. As orientações foram repassadas pela psicóloga Kátia Arruda, coordenadora de Saúde Mental do Distrito Sanitário III do Recife. “Percebemos que, pelas ocorrências de tentativas de suicídio relacionados ao jogo Baleia Azul, as pessoas estão apavoradas. Por isso, acreditamos que conversar sobre o assunto é a melhor forma de orientar e tranquilizar a população”, diz Kátia.

O próximo encontro com rodas de conversas sobre depressão e prevenção do suicídio, organizado pelo Distrito Sanitário III do Recife, será realizado na próxima quinta-feira (25), na Academia da Cidade do Parque da Jaqueira, Zona Norte da cidade. O objetivo é chamar a atenção para o tema e simbolizar o compromisso com a vida. “Alertamos sempre sobre a importância de as pessoas estarem atentas a possíveis mudanças de comportamento de parentes e amigos. São alterações que podem ocorrer em qualquer faixa etária.”


A existência de um transtorno mental é considerada um fator de risco para o suicídio. Entre os distúrbios psiquiátricos mais comumente associados às tentativas, estão depressão, transtorno do humor bipolar, esquizofrenia, dependência de álcool e de outras drogas psicoativas.

A psicóloga destaca que, na infância, a queda no rendimento escolar pode ser um alerta de que a criança precisa de apoio. “Entre os adolescentes, o isolamento preocupa. Já irritabilidade, problemas relacionados ao sono e à alimentação, apatia e abuso da bebida alcoólica podem evidenciar ocorrência de transtornos mentais entre os adultos”, completa Kátia.

Ação Social

A Ação Social no Sítio Trindade (realizada pela Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Cultura e Fundação de Cultura Cidade do Recife) serviu como um momento de interação com os moradores de comunidades da Zona Norte. O público contou com serviços gratuitos de saúde, educação, cidadania e lazer. A próxima Ação Social no Sítio Trindade acontecerá no dia 29 de julho.

Publicado por Cinthya Leite em Blog - 20/05/2017 às 13:24
Fonte: http://blogs.ne10.uol.com.br/casasaudavel/2017/05/20/no-recife-rodas-de-conversa-abordam-depressao-prevencao-do-suicidio-e-valorizacao-da-vida/

quarta-feira, 17 de maio de 2017

CVV em processo de instalação em Manaus

Ações de prevenção podem evitar até 90% dos casos de suicídios, que têm crescido no AM
Voluntários

Silane Souza - Manaus (AM)

Pelo menos 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária ou profissional, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Visando essa assistência, um grupo de voluntários quer trazer para Manaus o Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade que atua nesse sentido há mais de 50 anos. Um dos objetivos é reduzir o índice de suicídios da capital amazonense que é a nona entre as capitais brasileiras em número de casos.

As negociações para a instalação do CVV são avaliadas pelos coordenadores nacionais em parceria com entidades locais. O coordenador de expansão da instituição, João Régis, chegou ontem à tarde a Manaus justamente para cuidar dessas parcerias e realizar palestras acerca da entidade e do trabalho realizado por ela. Ele ficará na cidade até sábado, participando de encontros com representantes de órgãos públicos e rodas de conversa com profissionais do serviço de saúde e estudantes universitários.

De acordo com a psicóloga Aline Félix, a primeira medida preventiva contra o suicídio é a educação: é preciso deixar de ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema para que todos possam ajudar. “Sabemos que o número de suicídios tem aumentado muito e, em Manaus, percebemos a necessidade de haver um centro como o CVV, pois ele traz a proposta de prevenir suicídio e preservar a vida por meio de atendimentos voluntários”, explicou.

O Centro de Valorização da Vida atua há 55 anos na valorização da vida e prevenção do suicídio, tendo inclusive o reconhecimento do Ministério da Saúde para tratar dos temas relacionados à prevenção do suicídio. São 76 postos no Brasil com mais de 2,2 mil voluntários treinados e capacitados para oferecer o apoio emocional. Os atendimentos são feitos 24h por dia por telefone (141 disque nacional), pessoalmente, por correspondência, chat, voip ou e-mail, encontrados no site www.cvv.org.br.

Aline ressaltou que, antes de uma pessoa tentar suicídio ela apresenta vários sinais: isolamento, tristeza ou agressividade, entre outros, e todos precisam ficar atentos a qualquer mudança de comportamento para poder ajudar. “Por isso a importância do compartilhamento de informações e a constituição desse espaço para saúde mental. Às vezes, a família não sabe quais são esses sinais e acredita que é besteira, quando a pessoa está precisando de ajuda”, observou.

Casos registrados no Amazonas cresceram 49% em 2015

Em 2015, 121 pessoas tiraram a própria vida, no Amazonas, de acordo com o 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em novembro do ano passado.  Um crescimento de 49,3% em relação a 2014, quando 81 casos de suicídio haviam sido registrados no Estado. Com este indicador, o Amazonas figura na 15ª posição com o maior número de mortes por suicídio no Brasil.

Já Manaus é a nona entre as capitais do País em casos de suicídio, segundo dados apresentados em setembro de 2016 pela Associação Amazonense de Psiquiatria (AAP). Há, em média, na capital amazonense, oito suicídios a cada 100 mil homens e dois a cada 100 mil mulheres. Os números são considerados defasados pela APP em razão da subnotificação de casos, ou seja, muitos não são registrados.

Os indicadores apontaram que 96% das pessoas que cometeram suicídio sofriam de algum transtorno mental, sendo os principais os transtornos de humor (35%), como depressão e bipolaridade; transtornos por uso de álcool e outras drogas (22%); transtornos de personalidade (11,6%), como psicopatias e síndrome de boder

‘Saúde mental é um dever  de todos’

O cuidado com portadores de transtornos mentais é tarefa de toda a sociedade, por isso sua discussão não pode se restringir aos muros dos órgãos de saúde. Esse é o posicionamento que a Rede de Atenção Psicossocial do Amazonas (RAPs) vai defender no 1º Simpósio Intersetorial “Para além dos muros institucionais: trabalhando as minorias”.

O evento será realizado hoje, às 8h, no auditório João Bosco Ramos de Lima, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), na avenida Mário Ypiranga, bairro Parque Dez, Zona Centro-Sul.

“A rede precisa articular outros serviços e outros setores. É preciso trabalhar com movimento social, outras secretarias. Não adianta a gente falar da Luta Antimanicomial, enquanto outros segmentos ainda acham que tem que ter hospício”, comenta Luciana Diederich, coordenadora da RAPs.

Para ela, não adianta fechar hospícios sem mudar a forma de enxergar a loucura. E o desafio que está posto é pensar outras formas de vivência para portadores de transtornos mentais que não seja o isolamento social. E o primeiro a superar esse desafio é o próprio poder público, defende a psicóloga.

“Se a gente não fala sobre outras formas de viver sem ser o isolamento social, outras instituições que vão substituir os manicômios vão reproduzir as mesmas práticas. Por isso a gente precisa do envolvimento de mais atores nesse tema”, declara Luciana.

O simpósio será realizado um dia antes do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, o 18 de maio. A Luta Antimanicomial é um movimento que defende mudanças nos parâmetros éticos e técnicos no atendimento aos portadores de sofrimento emocional grave. O processo é também conhecido como “Reforma Psiquiátrica” e teve início no final da década de 1980.

Fonte: http://www.acritica.com/channels/cotidiano/news/conscientizar-para-prevenir-os-suicidios

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Os jovens são o nosso presente...


Portas para a realidade…

Fernando Barroso

As lutas são difíceis. Temos que ser mais arrojados do que o “inimigo”. O certo é que vamos ganhando algumas batalhas. Há batalhas muito difíceis de vencer, mas podem contar com a nossa luta até sempre porque os nossos filhos não podem ser “engolidos” pela voracidade das máquinas, e muito menos por mentes que se dão ao “LUXO” de “CRIAR” caminhos para o suicídio. BALEIAS AZUIS? Jogos com caminhos ínvios, que promovem a automutilação, e o colocar termo à própria vida? 50 Desafios “ORIENTADOS” por um “CURADOR”?

1 – Com uma navalha, escreva “F57” na palma da mão e em seguida envie uma foto para o curador.

28 – Não fale com ninguém o dia todo.

50 – Tire a sua própria vida.

QUAL O NOSSO PAPEL? QUAL O PAPEL DE TODOS QUE ESTÃO ACORDADOS PARA AS REALIDADES TRAZIDAS PELA OBSCURA VIRTUALIDADE?

O nosso papel é compreender o sistema e, se necessário, enfrentá-lo em busca de uma sociedade mais justa.

A OMS RECONHECE O SUICÍDIO COMO UMA PRIORIDADE DE SAÚDE PÚBLICA. NO PRIMEIRO RELATÓRIO DA ORGANIZAÇÃO SOBRE O ASSUNTO, RECONHECE QUE A “PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: UM IMPERATIVO GLOBAL”

O fenómeno macabro “Baleia Azul” ganha destaque, com justificada razão, entre os assuntos que nos preocupam (guerra na Síria, eleições na França, guerra nuclear da Coreia do Norte, as já conhecidas investidas de Donald Trump). O fenómeno é dinamizado pela execução gradativa de 50 desafios que vão desde a automutilação até ao suicídio. Quem estabelece as regras e propõe os reptos é um mentor (curador), uma espécie de líder, geralmente adulto, que ordena a realização da tarefa do dia com a garantia de provas (os participantes são obrigados a enviarem fotos do trabalho feito). Claro que o “CURADOR” (estranho nome) nunca cumpriu os propósitos do jogo.

UM TOTAL DE 1,3 MILHÃO DE PESSOAS DE 15 A 29 ANOS MORREM NO MUNDO ANUALMENTE VÍTIMAS DE CAUSAS EVITÁVEIS OU TRATÁVEIS, SENDO A PRINCIPAL DELAS OS ACIDENTES DE TRÂNSITO (11,6% DO TOTAL). O SUICÍDIO FICA EM SEGUNDO LUGAR, RESPONSÁVEL POR 7,3% DAS MORTES.

Inescusavelmente, esses acontecimentos fazem-nos pensar sobre um fenómeno que, certamente, não é novo (suicídio entre a população jovem), mas que ganha impulso renovado com um jogo que se desdobra nas malhas da tecnologia.

OS JOVENS NÃO SÃO APENAS O NOSSO FUTURO – ELES SÃO O NOSSO PRESENTE.

São múltiplos os portões de acesso que nos levam a alguns endereços de reposta (como diria Kafka, as portas são inumeráveis, a saída é uma só, mas as possibilidades de saída são tão numerosas quanto as portas).

Para o filósofo sul-coreano Byung-Chull Han, a sociedade de desempenho (que substitui a sociedade disciplinar) prima pelo excesso de positividade. Somos teleguiados pela lógica do excesso (super-comunicação, super-rendimento, super-produção), que nos quer sempre ocupados, respondendo aos estímulos que não param de nos cortejar frente às telas, agora ubíquas.

Provavelmente, os jovens dão-se conta dessas limitações e ousam responder a pergunta que habita as páginas do famoso livro A insustentável leveza do ser: “Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”.

Coluna: A Saga do Soldado de Papel
Fonte: http://regiaodecister.pt/opiniao/portas-para-realidade

Suicídio e adolescência. Excelente texto de Arnaldo Cheixas!!

O problema do suicídio entre adolescentes

O assunto está em voga nos últimos tempos; confira sintomas, mitos e como ajudar nesses casos

Arnaldo Cheixas

O debate sobre o suicídio entre adolescentes tem sido destacado nos meios de comunicação em função do controverso jogo “blue whale” (baleia azul), sobre o qual ainda há poucas certezas. Existem casos recentes de suicídios e de tentativas de suicídio que parecem estar associados ao jogo.

Baleia Azul

Ao que parece, curadores anônimos convidam adolescentes a participar do jogo por meio das redes sociais. Depois de aceitar participar, o adolescente passaria a receber sucessivos desafios envolvendo assistir a filmes de terror durante a madrugada e automutilação – dentre outros –, culminando com o desafio derradeiro de tirar a própria vida. Os adolescentes seriam coagidos a manter a participação até o fim sob ameaças dos curadores de que, em caso de desistência, males seriam praticados contra seus familiares.

Casos foram registrados em vários países, inclusive no Brasil. Aqui a investigação tem sido conduzida principalmente pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática do Rio de Janeiro mas há investigações paralelas feitas pelas polícias de outros estados. Por enquanto não se sabe a extensão do problema e é importante aguardar os resultados preliminares da investigação policial. De qualquer modo, os casos apurados por jornalistas de diversos veículos realmente aconteceram e estão sendo investigados. Todo o resto são boatos e conjecturas. E, independentemente disso, o problema da morte auto-imposta é real e nessas horas é melhor não subestimar os riscos de uma onda de suicídios entre adolescentes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (O.M.S.), a cada quarenta segundos em média uma pessoa tira a própria vida em algum lugar do planeta. Foram quase um milhão de casos registrados em 2012, ano de referência dos dados do relatório mais recente do órgão internacional, publicado em 2014.

O suicídio é a segunda causa global de mortalidade de adolescentes e adultos jovens (de 15 a 29 anos), atrás apenas dos acidentes de carro. Embora no Brasil a maior incidência esteja na faixa etária seguinte, de 30 a 39 anos, ela também é alta entre adolescentes, de modo que o problema não deve ser subestimado e exige atenção permanente no país, devendo envolver em suas ações os próprios adolescentes, os pais, a escolas e os governos.

13 Reasons Why

À luz desse cenário preocupante, a Netflix estreou a série 13 Reasons Why. Uma tradução livre do título pode ser Treze Motivos Pelos Quais – o número treze em inglês traz uma associação direta com a adolescência. A série conta a história de Hannah, uma adolescente que, antes de cometer suicídio, grava em fitas cassete treze razões que a levaram a tirar a própria vida. Os núcleos explicativos para o suicídio são o bullying e a incompreensão dos adultos sobre o sofrimento de Hannah.

Como é sabido que a publicidade de casos de suicídio pode fazer com que outras pessoas o executem logo após a divulgação – fenômeno conhecido como efeito Werther –, a série gera sim preocupação. O suicídio da personagem Hannah Baker é envolto em bastante romantismo, desde a beleza da maior parte das personagens até o próprio fato de que a protagonista, mesmo morta, continua presente na vida dos demais por conta dos áudios deixados com sua voz. Esse aspecto particularmente atiça uma fantasia muito presente no discurso de quem tem ideação suicida, que é a expectativa de que sua morte fará com que as pessoas que lhe magoaram sofram e de certo modo paguem pelo mal praticado.

Um dado interessante é que a série da Netflix fez aumentar a quantidade de pessoas que estão entrando em contato com o Centro de Valorização da Vida, um serviço gratuito voltado para a prevenção do suicídio. Mas ainda é difícil saber se esta notícia é boa ou ruim.

Como psicólogo não posso deixar de olhar com preocupação o fato de o suicídio ser apresentado de forma tão romantizada na TV mas não se pode negar que os produtores de 13 Reasons Why foram corajosos ao trazer o tema de forma tão aberta. Um efeito positivo inegável é a repercussão que tem feito com que o tema seja discutido. Se se trata apenas de comoção passageira ou se produzirá avanços na prevenção, só o tempo dirá. Por enquanto não podemos deixar passar a oportunidade de conversar a respeito.

Fatores de risco para o suicídio

A seguir os elementos mais comuns na vida de pessoas que se suicidaram e que servem como sinais de alerta:

   Presença de perturbações mentais (presentes em 90% dos casos).
   Stress social.
   Grandes perdas (ente querido, emprego, patrimônio…).
   Abuso no passado, físico ou emocional.
   Desesperança em relação à própria vida.
   Sensação de desamparo, impossibilidade de agir sobre os problemas.
   Exposição ao suicídio de alguém conhecido ou famoso.
   Dificuldades sexuais.
   Doença e dor.
   Acesso facilitado aos meios necessários para se suicidar.
   Acontecimentos violentos (guerra, desastres, golpes de estado).
   Repertório pobre para enfrentamento de problemas.
   Problemas familiares.

Fatores de proteção

Os elementos que significam menor risco de suicídio são:

   Existência de apoio da família e de uma rede de amizade sólida.
   Presença de crenças.
   Envolvimento na comunidade.
   Vida social satisfatória.
   Acesso aos serviços de saúde existentes.

Os avisos que aparecem antes de uma tentativa de suicídio

Na maioria dos casos de suicídio, há alguns sinais que antecedem a ação e que podem ajudar quem está perto a prestar apoio e até evitar que a tragédia de fato aconteça. Aqui estão eles:

   Falta de interesse pelo próprio bem-estar.
   Mudanças de comportamento.
   Declínio da produtividade.
   Alterações no sono e na alimentação.
   Tentativa de ficar em dia com pendências pessoais e de fazer as pazes com desafetos.
   Interesse incomum em como os outros se sentem.
   Preocupação com temas de morte e violência.
   Súbita melhoria no humor após uma depressão.
   Promiscuidade repentina ou aumentada.
   Dificuldade em lidar com problemas.
   Pressão negativa dos colegas/bullying.
   Família disfuncional.
Mitos sobre o suicídio

Os mitos mais comuns e que geram confusão e preconceito são os seguintes:

    “Quem fala em suicídio não se mata porque na verdade só quer chamar a atenção.” Errado. A maioria dos suicidas falaram sobre essa possibilidade antes de se matar efetivamente. Na verdade o suicida muda de ideia frequentemente.
    “Suicídio é sempre um ato impulsivo e acontece sem aviso.” Errado. O suicídio normalmente é elaborado aos poucos ao longo do tempo.
    “Suicidas querem mesmo morrer e estão decididos, não havendo nada que se possa fazer para persuadi-los a mudar de ideia.” Errado. A maioria manifesta ambivalência.
    “Quando alguém sobrevive a uma tentativa, está fora de perigo.” Errado. Ao menos uma tentativa prévia ocorre na maioria dos casos que se efetivam. O período logo após uma tentativa é especialmente perigoso.
    “Conversar sobre suicídio é o mesmo que dar ideia.” Errado. Discutir o tema em todos os níveis ajuda alguém com ideação suicida a mudar de ideia e procurar ajuda.
    “Crianças não se suicidam.” Errado. Embora a incidência seja menor do que em qualquer outra fase da vida, crianças se suicidam sim e deve haver atenção permanente quanto a esse risco.

Como ajudar o adolescente que fala em suicídio

Durante uma crise de ideação suicida é importante oferecer suporte com tranquilidade. Não se deve julgar o desejo do outro de interromper a própria vida mas sim procurar escutar com atenção as razões que o motivam para tal. Nesse ponto é importante saber reconhecer e respeitar a escolha que resulta dos elementos apresentados mas sem jamais aceitar a escolha como algo normal.

A pessoa com ideação suicida deve ser estimulada a se abrir e a compartilhar o que pensa e o que sente. O foco do ouvinte deve permanecer no momento atual; falar sobre o passado ou o futuro só aumenta a ansiedade e reforça os sentimentos de frustração. Nesse sentido, deve-se evitar conselhos amplos. As sugestões e conselhos devem se concentrar no aqui e agora.

O ponto mais importante sobre a ajuda a um adolescente com ideação suicida talvez seja o quanto é possível não atrapalhá-lo. E a forma mais desastrosa de atrapalhar um adolescente potencialmente suicida é julgá-lo, estigmatizando-o em seu sofrimento. Frases como “Eu na sua idade fazia assim e assado…” devem ser evitadas fortemente.

Finalmente, é importante discretamente restringir o acesso da pessoa aos meios de praticar o suicídio porque, em um momento de dúvida, a disponibilidade dos meios pode fazer toda a diferença entre a vida e a morte.

Alguns apontamentos

Ainda que os efeitos da depressão sobre o cérebro sejam muito similares para qualquer pessoa do ponto de vista da fisiologia dos neurotransmissores, o tratamento que funciona para um não necessariamente funciona para outro. A melhor conduta deve ser determinada pelos profissionais de saúde sempre em conjunto com o paciente e com os familiares, respeitando-se as particularidades de cada caso.

Embora 60% dos suicidas estivessem deprimidos, o fator principal que os levou ao ato (quando há registro) foi a sensação de desesperança, muito mais do que a depressão em si. Isso se confirma pelos casos de suicídio em que não havia evidência de depressão mas sim a desesperança, a sensação de que a própria vida não tem sentido.

O consumo de álcool e outras drogas deve preocupar particularmente durante a adolescência porque é sinal de que algo não vai bem na vida do adolescente. A substância química, de modo geral, preenche um vazio que normalmente tem a ver com frustrações prévias. Três quartos das crianças e adolescentes com ideação suicida não conseguem falar com um adulto a respeito. Nesse sentido, os professores têm papel chave na vigilância porque eles têm uma posição privilegiada, uma vez que não são tão distantes do adolescente a ponto de não gerar confiança (como um estranho) e nem tão próximos a ponto de gerar desconfiança, vergonha e medo (como os pais).

Adolescentes são mais vulneráveis que adultos porque a pouca experiência com a vida, combinada com seu foco no aqui e agora, os atrapalha na hora de avaliar as consequências de seus atos. Ainda assim, o sofrimento é muito forte com as questões que angustiam um adolescente em risco (bullying, perdas, violência etc). Isso tudo acontecendo num ambiente social virtual, no qual tudo tem velocidade espantosa. Às vezes, é difícil para um adulto entender as expectativas e as angústias vivenciadas pelos adolescentes no ambiente virtual uma vez que esse ambiente não fez parte da adolescência dos adultos de hoje.

Um dado motivador é que, de acordo com o citado relatório da O.M.S., o número absoluto de suicídios caiu globalmente 9% de 2000 para 2012, a despeito do aumento populacional. Isto significa que as políticas de prevenção estão avançando.

Embora o Brasil faça parte de um seleto grupo de países que possuem informações confiáveis sobre o suicídio, tal precisão informativa ainda não se converteu em políticas que permitam a redução de ocorrências trágicas em consonância com a média global. Este é, portanto, o desafio diante do qual estamos. Debater incessantemente o problema é o primeiro passo a ser adotado. Nesse sentido, que o burburinho gerado pelo seriado 13 Reasons Why sirva como gatilho para nos impulsionar para ações concretas de prevenção.

Finalmente…vale registrar aqui que, se você precisa de ajuda neste momento, o CVV atende gratuitamente e de forma completamente anônima por meio do número 141.

Fonte: http://vejasp.abril.com.br/blog/terapia/suicidio-adolescente/